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HotBeatJazz 10′ Series – Miles Davis – The New Sounds 10’LP PRLP 124 (1951)

Após os anos com Charlie Parker, as experiências com o nometo do Birth of the Cool, a depressão e busca em se livrar da heroína, 1951 via um Miles Davis recomeçando sua vida. Musicalmente estava mais solto, sem a timidez dos tempos de bebop com Bird e menos formalizado como com o noneto. Miles estava trabalhando em clubes com um sexteto formado por jovens do Harlen como: Sonny Rollins, o saxofonista alto Jackie McLean e o pianista Walter Bishop Jr. – Tommy Potter no contrabaixo e Art Blakey na bateria, proviam o sexteto de segurança e groove impecáveis. Foi agendada uma sessão para a Prestige, que aconteceu em 5 de outubro de 1951, em NYC, nos estúdios Apex.

 

Em Conception, tema composto por Miles, ele mostra o músico visionário de sempre. O tema, de harmonia sinuosa, já preconizava o período do modalismo do final da década.

 

My Old Flame é apresentada em quinteto, com Miles mostrando o habitual lirismo nas baladas, Sonny Rollins contribui com uma improvização que deixa clara a influência que ele sofria na época de Lester Young.

 

Dig, é um típico bebop, com Rollins construindo a ponte que liga Lester Young a Dexter Gordon em seu solo. Miles evita o discurso rápido, priorizando a beleza melódica de toda sua improvização. Blakey é uma usina de beats que impulsiona um jovem McLean aterrorizado pelo mau humor do líder. Se sai muito bem para um garoto posto à prova com leões.

 

It’s Only A Paper Moon encerra o álbum com Miles e Rollins produzindo impros inspiradas. Miles suingante e de fraseado de extrema beleza melódica. Rollins, em seu estilo inicial, mostra o quanto bebeu das velhas fontes do instrumento no jazz. Lester, Ben Webster, Chu Berry, Hawkins.

 

Os novos sons de Miles Davis em 1951 tornaram-se clássicos imortais na história do desenvolvimento do jazz.
Miles Davis (tp) Jackie McLean (as) Sonny Rollins (ts) Walter Bishop Jr. (p) Tommy Potter (b) Art Blakey (d)
Apex Studios, NYC, October 5, 1951

 

1- Conception
2- My old flame
3- Dig
4- It’s Only A Paper
 

HotBeatJazz 10′ Series – Sonny Rollins Quartet – 10’LP PRLP 137 (1951)

Mais uma vez nos voltamos à música de Walter Theodore “Sonny” Rollins, desta feita em sessão gravada para a Prestige em 1951. Sonny começou a tocar saxofone alto aos 11 anos de idade, em 1941, em 1946 mudou para o sax tenor, intrumento do qual viria a se tornar um dos maiores estilistas que o jazz já conheceu. Cresceu no Harlem, em NYC, ao lado de outros grande músicos que viriam a se destacar na década de 50, como o pianista destas faixas, Kenny Drew. Aos 14 anos, Rollins foi profundamente impactado pela música de Charlie Parker que passaria a exercer uma grande influência em seu estilo, assim como músicos mais antigos como Lester Young e Coleman Hawkins. Inciou sua carreira discográfica em 49, na orquestra do cantor Babs Gonzales, no mesmo ano ainda particparia de sessões no combo do trombonista J. J. Johnson e do pianista Bud Powell, um grande incentivador de Rollins. Em 1950, Rollins não participa de nehuma gravação, virginianamente perfeccionista, dedica-se ao estudo e prática em retiro, atitude que voltaria e tomar em 1961, quando seu hábito diário de ir praticar em solitário com seu sax na ponte Williamsburg aos fins de tarde, se converteria rápidamente em uma das mais românticas lendas do jazz.

 

Em 17 de janeiro de 1951, Miles Davis, um de seus mais ferrenhos admiradores de primeiro momento, o convida para participar de uma sessão integrando um sexteto. É desta data a gravação de I Know, em uma tomada em quarteto com Miles Davis tocando o piano, e Percy Heath e Roy Haynes completando a seção rítmica.

 

Onze meses depois, em 17 de dezembro, também em quarteto, Rollins gravaria as sete faixas restantes deste 10 polegadas. Quatro standards, baladas em sua maioria, e três temas originais: Shadrak, Scoops e Newk’s Fadeaway. Estava acompanhado pelo amigo de infância Kenny Drew ao piano, novamente Percy Heath ao contrabaixo e Art Blakey na bateria. Time On My Hands tem a mais bela e contundente interpretação em sax tenor que tenho conhecimento. This Love Of Mine é puro lirismo, num amálgama de Lester Young e certos ornamentos à la Parker. Shadrack é um tema bop por excelência com precioso trabalho de Rollins e Drew, pontuados ao estilo peculiar de Blakey. On A Slow Boat To China é apresentado em andamento rápido, com Rollins mostrando fluência e arquitetura de fraseado original antes do solo de Drew e das breves trocas com o piano antes do encerramento. Scoops é um blues com melodia típicamente bebop, Drew mostra brevemente o quanto absorveu de Bud Powell, antes das trocas de fours entre Rollins e Blakey.

 

Todas estas faixas foram lançadas ainda na fase do 78 rpm, estando portando dentro do esquema de duração não maior do que três minutos e meio. Nelas pode-se perceber o quão difícil era para um jazzista desenvolver seu improviso em tão poucos choruses, sendo o poder de síntese o que separava os homens dos garotos. Rollins foi um dos grandes homens do período, sendo ainda um garoto. Hoje, às vésperas de completar 80 anos, em 7 de setembro próximo, está ativo e se apresentando pelo mundo, mostrando uma música vigorosa e atual, que sómente pode ser produzida por um veterano, mas em espírito de garoto.
Sonny Rollins (ts) Kenny Drew (p) Percy Heath (b) Art Blakey (d)
Apex Studios, NYC, December 17, 1951

 

*Sonny Rollins (ts) Miles Davis (p) Percy Heath (b) Roy Haynes (d)
Apex Studios, NYC, January 17, 1951
1- Time on My Hands
2- This Love of Mine
3- Shadrack
4- On a Slow Boat to China
5- Scoops
6- With a Song in My Heart
7- Newk’s Fadeaway
8- I Know*

 

 

HotBeatJazz 10′ Series – Miles Davis Quintet – 10’LP PRLP 187 (1954)

A primeira metade da década de 50 foi um período de busca pessoal e artística para Miles Davis. No campo pessoal ele procurava se livrar da adição em heroína, o que ele conseguiria pela primeira vez ainda em 1950. Artísticamente sua busca consistia em achar um modelo de som e de formação de seu combo, busca esta que iria exigir mais tempo de Miles. De 1950 à 55, Miles testou todos os tamanhos e arquiteturas de formações possíveis. Do noneto do início da década, ainda resultado do Birth of the Cool, até o quarteto básico, Miles procurou todas as possibilidades de expressão para sua música. Tocou com uma verdadeira constelação de músicos: J.J. Johnson, Stan Getz, Tadd Dameron, Lee Konitz, Gerry Mulligan, John Lewis, Fats Navarro, Brew Moore, Art Blakey, Benny Green, Roy Haynes, Kenny Drew, Eddie “Lockjaw” Davis, Billy Taylor, Charles Mingus, Jackie McLean, Walter Bishop Jr, Jimmy Forrest, Don Elliott, Al Cohn, Zoot Sims, Jimmy Heath, Max Roach, Oscar Pettiford, e até mesmo, Charlie Parker, todos estes grandes músicos contribuíram para a música de Miles. Em 1954, Miles começa a achar o rumo que seguiria pelo resto da década e que o levou ao patamar de gigante do jazz. A formação de um quinteto que consistia, além dele, de um saxofonista tenor de estilo forte e agressivo, que contrastasse com seu trompete suave; um pianista que soubesse tocar deixando espaços na música, verdadeiros vácuos harmônicos; e baterista e contrabaixista que se adaptassem a um estilo que ficava a meio caminho do bebop, do hardbop e do cool.

 

Nesta seção de 29 de junho de 1954, esta busca começava a se materializar em um combo com Sonny Rollins ao sax tenor, Horace Silver ao piano, Percy Heath ao contrabaixo, e o veterano Kenny Clark na bateria. Rollins tem importancia fundamental, não só como contraponto ao lirismo de Miles instrumentalmente, mas também, como grande compositor de temas. É o que temos neste 10 polegadas de apenas 4 músicas: 3 originais de Rollins, e um clássico de George Gershwin. Rollins nestas gravações ia se consolidando como um dos mais influentes sax tenores do jazz moderno e um dos compositores mais originais que surgiam nesta efervescente época. Horace Silver, ainda um jovem e promissor talento, entendeu à perfeição o papel que deveria desempenhar na música de Miles, não enchendo os espaços com blocos densos de acordes, mas sim, contribuindo para uma maior flexibilidade rítmica e harmônica do grupo, papel que seria depois brilhantemente executado por Red Garland no quinteto com Jonh Coltrane no tenor. Estas gravações ficaram indelévelmente marcadas na história do jazz, sendo uma mostra do poder musical que arrebataria a todos, um ano depois, com o quinteto definitivo.

 

Miles Davis (tp) Sonny Rollins (ts) Horace Silver (p) Percy Heath (b) Kenny Clarke (d)
Rudy Van Gelder Studio, Hackensack, NJ, June 29, 1954

 

1- Airegin (S. Rollins)
2- Oleo (S. Rollins)
3- But Not For Me (G. Gershwin – I. Gershwin)
4- Doxy (S. Rollins)
 

HotBeatJazz 10′ Series – Sonny Rollins Quintet – 10’LP PRLP 186 (1954)

Théodore Walter – mais conhecido como Sonny – Rollins, nasceu em New York, em 1929. Quando adolescente, se reunia com seus amigos de vizinhança para tocar jazz, era uma turma de peso: Kenny Drew, Jackie McLean, Art Taylor, e o irmão caçula do gênio do piano bop Bud Powell, Richie Powell. Era uma rapaziada tão endiabrada que aos 19 anos Sonny já estava apto a tocar com grandes nomes do jazz como Bud Powell, Fats Navarro e J. J. Johnson. Foi contratado em 1950 por Bob Weinstock para fazer parte do catálogo da gravadora Prestige, onde produziria boa parte de sua obra, definitiva e fortemente influenciadora na formação dos saxofonistas modernos.

 

O LP em foco, foi gravado em agosto de 1954, com Rollins liderando um quinteto que trazia na linha de frente, a seu lado, o exímio trompetista Kenny Dorham. Dorham foi um músico bastante negligenciado, seu toque se equipara aos grandes estilistas do instrumento, é dono de um fraseado meticulosamente elaborado, emissão e timbre perfeitamente trabalhados, e um dos maiores quando o assunto é tocar bebop. A seção rítmica traz outro “underrated”, o pianista Elmo Hope, outro Nova Iorquino, forjado nos anos de ouro do bebop. Hope não conseguiu ter uma carreira regular, gravou pouco e faleceu prematuramente, em 1967, vítima de pneumonia. O contrabaixo foi executado pelo seguro e competente Percy Heath, e na bateria, atuando sob seu nome de adoção no islamismo por questões contratuais, Abudullah Buhaina, mais conhecido como Art Blakey.

 

Movin’ Out abre o disco, um bebop de tirar o fôlego, onde Rollins mostra a profunda influência de Charlie Parker em sua maneira de tocar. Kenny Dorham tem uma participação luminar, com um solo primoroso em arquitetura melódica. Elmo mostra economia nos acompanhamentos da mão esquerda, enquanto com a direita produz um fraseado percurssivo de intenso swing.

 

Swinging For Bumsy é outro bebop onde Rollins e Dorham pairam absolutos. O solo de Kenny é um dos pontos altos da sessão, um fraseado completo, com stacattos e legattos intercalados, mostrando o absoluto domínio da técnica. Mais uma vez Elmo Hope executa uma mão esquerda que chega a sugerir o antigo estilo stride.

 

Silk ‘N’ Satin é a balada da sessão, Rollins paga seu tributo a Dexter Gordon, um dos maiores baladistas do tenor moderno e grande influência na maneira de Rollins tocar.

 

Solid, é uma das mais instigantes composições de Sonny Rollins, na essência um bebop, porém já apontando na direção do hardbop. A bateria de Blakey faz acentuações primorosas, cruzando um terreno onde ele é mestre absoluto.

 

Esta gravação do quinteto de Sonny Rollins foi uma das responsáveis por vários músicos, principalmente os saxofonistas, torcerem o pescoço na direção de um som nôvo, vigoroso, que começava a ecoar e que viria a influenciar várias gerações de músicos.

* Uma excelente biografia de Elmo Hope pode ser encontrada no Jazz + Bossa +Baratos Outros

Kenny Dorham (tp) Sonny Rollins (ts) Elmo Hope (p) Percy Heath (b) Art Blakey (d)
Rudy Van Gelder Studio, Hackensack, NJ, August 18, 1954

 

1- Movin’ Out (take 606)
2- Swinging For Bumsy (take 607)
3- Silk ‘N’ Satin (take 608)
4- Solid (take 609)
 

HotBeatJazz 10′ Series – Art Farmer PRLP 177

Estamos inaugurando com esta postagem uma série organizada e produzida pelo próprio HotBeatJazz, com o intuito de recriar um pouco da história e do romantismo vividos pelo jazz em décadas passadas. Estaremos lançando recriações dos antigos LP’s de 10 polegadas, formatados inteiramente como foram editados na ocasião, com suas capas originais e obedecendo rigorosamente a mesma ordem de músicas. Esperamos com esta iniciativa dar uma contribuição à memória fonográfica de tempos mais românticos, quando havia de levantar-se do sofá para virar o lado do disco, ou então, empilha-los em toca-discos automáticos, produzindo deliciosos arranhões que se transformavam em chiadeiras indissociáveis do prazer da escuta.

 

Voltemos ao passado, com nosso primeiro LP 10 polegadas da série!

 

 

O trompetista Art Farmer gravou em 1954, pela Prestige, como líder de um quinteto muito especial que contava com a presença do grande saxofonista Sonny Rollins, do pianista Horace Silver, do contrabaixista Percy Heath, e de Kenny Clarke na bateria.

 

Foi um LP curto em termos de tempo de música gravada, mesmo para os padrões da época que possibilitavam até 12 minutos por face, com apenas 4 temas totalizando 9 minutos em cada lado.

 

Wisteria, uma bela balada que não conta com a participação de Sonny Rollins, sendo veículo para as qualidades do trompete extremamente lírico de Art Farmer.

 

Soft Shoe tem o tema exposto em perfeito uníssono entre Farmer e Rollins. Farmer abre seu solo com uma citação de The lady is a Tramp, o piano de Silver é impregnado de sentido bop e seus blocos de acordes de sustentação dos solistas são impecávelmente construídos. Rollins tem um solo arrebatador em economia e síntese antes de voltarem ao tema para o encerramento.

 

Confab In Tempo é um tema típicamente bebop, de andamento acelerado, onde Rollins é o primeiro a solar com extremo domínio da sintaxe do estilo. Farmer faz seu solo inteiramente em stacatto com um perfeito controle da emissão. Silver mostra conhecer bem o trumpet-piano style em breve participação antes do solo do mestre Kenny Clarke, o homem que construiu a ponte entre o swing e a bateria moderna bop.

 

I’ll Take Romance encerra este curto LP 10 polegadas com Farmer mostrando seu estilo pessoal, que o fazia diferente dos trompetistas da época, sempre muito calcados em Gillespie ou Fats Navarro. Rollins em seus primeiros anos já se mostrava um músico de estatura, embora ainda fosse desenvolver um estilo mais pessoal no decorrer dos anos. Tinha ele nesta época um timbre bem mais domesticado do que o que passou a desenvolver a partir da década de 60.

 

Este quinteto organizado por Bob Weinstock para dar suporte ao delicioso trompete de Art Farmer ficou marcado como um dos grandes combos organizados em 1954, um ano de concorrência acirrada, visto o surgimento do explendoroso quinteto de Art Blakey com Clifford Brown em fevereiro e o mesmo Clifford iniciando seu quinteto com Max Roach em abril.

 

Art Farmer (tp) Sonny Rollins (ts -2/4) Horace Silver (p) Percy Heath (b) Kenny Clarke (d) Rudy Van Gelder Studio, Hackensack, NJ, January 20, 1954

 

1- Wisteria (take 552)
2- Soft Shoe (take 553)
3- Confab In Tempo (take 554)
4- I’ll Take Romance (take 555)

 

 

Sonny Rollins Quartet & John Coltrane – Tenor Madness (1956)

Para encerrar essa série de postagens de álbuns gravados para a Prestige em 1956, escolhemos “Tenor Madness” com o quarteto de Sonny Rollins e a participação de John Coltrane na faixa título. Bob Weinstock reuniu o trio base do então célebre quinteto de Miles Davis – Red Garland, Paul Chambers e Philly Joe Jones – para dar suporte a uma das sensações do sax tenor na década de 50, Sonny Rollins. Coltrane participa como convidado na faixa título, um original de Rollins feito especialmente para a ocasião. Rollins ainda comparece com mais um tema, “Paul’s pal” dedicado ao contrabaixista Paul Chambers. Dois standards: “When Your Lover Has Gone” e “The Most Beautiful Girl In The World “, e uma releitura do clássico de Debussy “My Reverie” completam esse histórico álbum. “Tenor Madness” foi um marco na discografia do jazz, alimentando as discussões, na época, sobre quem era o mais influente sax tenor do jazz de então, Sonny Rollins ou John Coltrane. Você decide!
Sonny Rollins (ts) John Coltrane (ts, faixa 1) Red Garland (p) Paul Chambers (b) Philly Joe Jones (d)
Rudy Van Gelder Studio, Hackensack, NJ, May 24, 1956
1. Tenor Madness (Sonny Rollins)
2. When Your Lover Has Gone (Einar A. Swan)
3. Paul’s Pal (Sonny Rollins)
4. My Reverie (Larry Clinton/Claude Debussy)
5. The Most Beautiful Girl In The World (Richard Rodgers/Lorenz Hart)
 

Sonny Rollins – Falling In Love With Jazz (1989)

Quando Sonny Rollins surgiu na cena musical da Big Apple na virada da década de 40 para 50, comentava-se que a força e vitalidade do toque desse, então jovem saxofonista, só era comparavel com a obtida por veteranos da cena jazzística como Coleman Hawkins, Don Byas e Gene Ammons. Passados 60 anos, agora afirma-se o contrário sobre ele: A força e vigor do toque desse saxofonista octogenário só é comparavel ao de músicos jovens que podem tocar a pleno pulmão! Paradigmas à parte, o que se pode dizer com absoluta certeza sobre esse monstro sagrado do jazz é que para ele o tempo não passou. Quem teve a oportunidade de conferir suas apresentações no Brasil ano passado, tem absoluta certeza disso. Rollins foi o músico que melhor fez a ligação entre o toque vigoroso da escola de Coleman Hawkins com o fraseado ligeiro e sinuoso do bebop. Passou incólume por todas as mudanças de tendências do jazz e continuou sempre a ser uma luz guia na arte de soprar um saxofone, sempre sendo Sonny Rolins. E isso não significa, absolutamente, que tenha se cristalizado em meio ao desenvolvimento do jazz. Sempre foi um músico antenado, perceptivo ao novo, cercado por jovens músicos, mas sempre fazendo a música dele próprio. Experimentou de tudo, até o que não devia, mas sua personalidade musical sempre foi um iceberg em meio a tantas marolas estilísticas do gênero.
É justamente essa personalidade que podemos notar nesse “Falling In Love With Jazz”, gravado em 1989. Em duas baladas, “For All We Know” e “I Should Care”, Rollins convida a voz maior do saxofone da década de 80, Branford Marsalis e não soa nem um pouco old fashion, muito pelo contrário. Nesses dois temas ele conta com a preciosa colaboração do pianista Tommy Flanagan, companheiro de muitas jornadas desde os anos 50 no antológico “Saxofone Colossus”. Nos temas restantes é acompanhado pelo inseparável e excelente pianista Mark Soskin, um especialista em Latin Jazz, pelo entusiasmante guitarrista Jerome Harris, o veterano e sólido baixo de Bob Cranshaw, pela bateria ímpar de Jack DeJohnette e pelo trombone moderno de Clifton Anderson. O álbum todo é como destaca o título, uma impressionante e verdadeira declaração de amor ao jazz e a vida, já que para ele o tempo não passa.
Branford Marsalis, Sonny Rollins (ts) Tommy Flanagan (p) Jerome Harris (el-b) Jeff Watts (d) NYC, June 3, 1989
*Sonny Rollins (ts) Mark Soskin (p) Jerome Harris (g) Bob Cranshaw (el-b) Jack DeJohnette (d) NYC, August 5, 1989
**Clifton Anderson (tb) Sonny Rollins (ts) Mark Soskin (p, el-p) Jerome Harris (el-g) Bob Cranshaw (el-b) Jack DeJohnette (d) NYC, September 9, 1989
01 – For All We Know
02 – Tennessee Waltz*
03 – Little Girl Blue*
04 – Falling In Love With Love**
05 – I Should Care
06 – Sister**
07 – Amanda**