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Arquivo da categoria: Sonny Stitt

HotBeatJazz 10′ Series – Modern Jazz Trombones Vol 2 – 10’LP PRLP 123 (1951)

Modern Jazz Trombones foi uma série lançada pela Prestige com o intuito de formatar em 10 polegadas antigos lançamentos em 78 rpm dos principais trombonistas de seu cast. No volume 1 foram comtemplados os grupos All-Stars de Kai Winding e de J. J. Johnson. Neste segundo volume, J. J. Johnson aparece co-liderando um quinteto ao lado do saxofonista Sonny Stitt em gravações efetuadas em outubro de 1949. No lado A, o trombonista Bennie Green é a voz principal de um hepteto gravado em outubro de 1951.

 

Bennie Green é um nome mais ligado ao swing do que própriamente ao bebop, apesar ser da mesma geração de Sonny Stitt, Charlie Parker, e outros nomes do estilo. Não obstante, seu estilo incorporou alguns maneirismos do bebop e muitos do R&B. Foi um valioso membro da big band berçário dos maiores nomes do bebop, a de Earl Hines, juntamente com Parker, Stitt, Dexter Gordon e outros. Em 1951, Green voltava a trabalhar com Hines, desta feita em um combo de dimensões reduzidas, após um pequeno hiato de 3 anos. Concomitante ao fato, começava a destacar-se como um líder de pequenos combos, como este formado pelos saxofonistas tenores Eddie “Lockjaw” Davis e Big Nick Nicholas, pelo sax barítono de Rudy Williams, pelo piano de Teddy Brannon, o contrabaixo de Tommy Potter e a pulsante bateria do mestre Art Blakey.

 

Green Juction, é tema repleto de características do swing, head arrangments à la Basie, com o naipe de saxes repetindo riffs como base do solo altamente melódico de Green. O tema é apresentado e encerrado em um bem temperado uníssomo das palhetas e trombone.

 

Flowing River, é uma balada melódica e ralentada. O trabalho de Green e Lockjaw são luminares, com o restante do combo provendo a ambos de um delicioso suporte harmônico. Destaque para o trabalho do pianista Teddy Brannon, um esquecido veterano do Minton’s Playhouse.

 

Whirl-A-Licks, é Bennie Green mostrando que não foge da raia quando o assunto é bebop em up-tempo. Uma alucinante troca de compassos com Lockjaw e um suporte vigoroso de Blakey mantém a pulsação. Lockjaw mostra seu estilo áspero e viril, que fez escola nos anos 40 e 50.

 

Bennie’s Pennie’s, é a paráfrase de Green para o standard Pennies From Heaven. O trombonista apresenta seu belo timbre de sempre antes de uma pequena intervenção de Brannon em um estilo calcado em Teddy Wilson.

 

Chegamos agora às gravações do quinteto J.J. Jonhson – Sonny Stitt com Afternoom in Paris. O tema é apresentado em delicioso contraponto entre os líderes com o piano de John Lewis estabelecendo a melodia. Stitt é o primeiro a solar no sax tenor, com seu estilo peculiar, tantas vezes confundido com Charlie Parker no fraseado. J.J. o segue, antes da contribuição de John Lewis com sua técnica refinada e econômica ao piano.

 

Elora, é um original de Johnson que apresenta solo primoroso de Stitt, sintaxe perfeita e imenso domínio do vocabuláro bop. Max Roach aparece em troca de fours e eights com os líderes antes do encerramento.

 

Blue Mode se autodefine. É apresentado em um andamento médio, com solos inspirados dos líderes, em especial Sonny Stitt. O contrabaixista Nelson Boyd provém um seguro walkin’ ao combo.

 

Teapot, outro original de Johnson, encerra o álbum em up-tempo. Sonny Stitt é um verdadeiro gênio do sax tenor, com fraseado de articulação perfeita. As trocas de fours entre os líderes são nitroglicerina pura.

 

Modern Jazz Trombones são gravações históricas e fundamentais para o entendimento da linguagem deste instrumento no jazz moderno e contemporâneo.
Bennie Green (tb) Eddie “Lockjaw” Davis, Big Nick Nicholas (ts) Rudy Williams (bars) Teddy Brannon (p) Tommy Potter (b) Art Blakey (d)
NYC, October 5, 1951

 

1- Green Junction
2- Flowing River
3- Whirl-A-Licks
4- Bennie’s Pennie’s (Pennies From Heaven)

 

J.J. Johnson (tb) Sonny Stitt (ts) John Lewis (p) Nelson Boyd (b) Max Roach (d)
NYC, October 17, 1949

 

5- Afternoon In Paris
6- Elora
7- Blue Mode
8- Teapot
 

Charlie Parker and The Stars of Modern Jazz – Carnegie Hall X-mas ’49

Passadas as festas de fim de ano, agora distanciadas no funil do tempo, é hora para, sem apelos emocionais, sem motivos outros, que não a música em si, prestarmos atenção a esta noite de natal de 1949. Um concêrto no Carnegie Hall, sem jingle bell, sem velhinho amarelo-rosado em roupa de bombeiro, sem público disponível para melodias assobiáveis de forma autômata, trazia a nata do bebop para uma platéia ávida pelos ritmos frenéticos, pelas melodias sinuozas e pelas harmonias alteradas ao limite da compreensão da época. O disk-jockey Symphony Sid Torin organizou e apresentou alguns dos mais espetaculares músicos do jazz de então em uma noite memorável que teve como desfecho a apresentação do quinteto de Charlie Parker após as costumeiras confraternizações da meia noite de 24 de dezembro de 1949. Sid chama ao palco Bud Powell, o maior e mais influente pianista do bebop, à frente de seu trio formado pelos ex integrantes do combo de Parker: o contrabaixista Curley Russell e o baterista Max Roach em uma interpretação impecável de “All God’s Children Got Rhythm”, tema que era uma especialidade de Bud. O trio permanece no palco enquanto Sid anuncia mais alguns gigantes do jazz para se juntarem a eles: o trompetista Miles Davis, o trombonista Bennie Green, o saxofonista Sonny Stitt ao alto e Serge Chaloff no barítono. Inicia-se uma verdadeira jam com três temas hinos do bebop: “Move”, de Denzil Best; “Hot House”, de Dizzy Gillespie; e “Ornithology”, de Charlie Parker. Os palco é renovado com o quinteto de Stan Getz e Kai Winding. Stan, um dos famosos “four brothers” da orquestra de Woody Herman, atravessava um período de grande fama ganhando o apelido de “The Sound”, Winding surgia como uma nova voz ao trombone e em breve formaria um histórico quinteto com o pai do trombone bop, J. J. Johnson. A seção rítmica de Parker, formada por Al Haig, Tommy Potter e Roy Haynes, daria o suporte aos dois solistas em duas antigas peças da música americana: “Always” e “Sweet Miss”. Stan Getz apresenta “Long Island Sound” em formação de quarteto, deixando evidente sua sonoridade inspirada em Lester Young com um fraseado adaptado aos novos tempos do bebop. Sarah Vaughan, a voz bop por excelência, acompanhada por Jimmy Jones ao piano, interpreta dois standards: “Once In A While” e “Mean To Me”. O pianista Lennie Tristano apresenta-se acompanhado por seus alunos: o sax alto de Lee Konitz, o tenor de Warne Marsh, a guitarra de Billy Bauer, e o apoio rítmico de Joe Shulman ao contrabaixo e Jeff Morton à bateria. Sua leitura do standard “You Go To My Head” preconiza alterações harmônicas que só veríamos alguns anos depois com Bill Evans. O original “Sax Of A Kind” é veículo para as macias sonoridades de Lee Konitz ao alto e Warne Marsh ao tenor, músicos que traziam uma nova concepção timbrística ao modelo comum do bebop. Após a meia-noite chega a vez do ponto alto do concêrto, o fenomenal quinteto do pai de todos, Charlie Parker, acompanhado pelo trompetista Red Rodney, o pianista Al Haig, o contrabaixista Tommy Potter e a bateria de Roy Haynes. Parker está no auge de sua forma, com sua característica fluência de idéias e frases musicais que não teve equivalencia em toda a história do jazz. Os originais “Ornithology”, “Cheryl”, “Ko Ko”, “Bird Of Paradise” e “Now’s The Time” encerram esta noite de natal ímpar, acontecida a exatos 60 anos atraz, onde originalidade, modernidade e coragem foram a tônica deste acontecimento histórico para todo o desenvolvimento do jazz contemporâneo.
Voice Of America, Carnegie Hall, New York City, December 24 or 25, 1949.Master of ceremonies: Symphony Sid Torin.
THE BUD POWELL TRIO
Bud Powell (p), Curley Russell (sb), Max Roach (dm).December 24, 1949.
1 – All God’s Children Got Rhythm
JAM SESSION
Miles Davis (tp), Bennie Green (tb), Sonny Stitt (as), Serge Chaloff (bar), Bud Powell (p), Curley Russell (sb), Max Roach (dm). December 24, 1949.
2 – Move
3 – Hot House
4 – Ornithology (incomplete, originally)
STAN GETZ – KAI WINDING QUINTET
Kai Winding (tb), Stan Getz (ts), Al Haig (p), Tommy Potter (sb), Roy Haynes (dm). December 24 or 25, 1949.
5 – Always
6 – Sweet Miss
STAN GETZ QUARTET
7 – Long Island Sound
SARAH VAUGHAN (vocal), Jimmy Jones (p). December 24, 1949.
8 – Once In A While
9 – Mean To Me
LENNIE TRISTANO – LEE KONITZ SEXTET
Lee Konitz (as), Warne Marsh (ts), Lennie Tristano (p), Billy Bauer (g), Joe Shulman (sb), Jeff Morton (dm). December 24, 1949
10 – You Go To My Head
11 – Sax Of A Kind
THE CHARLIE PARKER QUINTET
Red Rodney (tp), Charlie Parker (as), Al Haig (p), Tommy Potter (sb), Roy Haynes (dm).December 25, 1949.
12 – Ornithology
13 – Cheryl
14 – Ko Ko
15 – Bird Of Paradise
16 – Now’s The Time

 

Zimbo Trio – Convida Sonny Stitt (1979)

Com “Zimbo Convida Sonny Stitt”, gravado em 1979, completo a trilogia dos álbuns que em minha opinião foram os melhores do grupo em toda sua existência. O Zimbo, ao contrário do que sugere o título, foi convidado a ser o grupo de apoio do veterano saxofonista americano em sua turnê pelo Brasil. O resultado é o que se pode esperar de uma reunião dessa ordem, repertório baseado em standards do jazz, bossa nova, bebop e originais do saxofonista. Stitt foi, talvez, o saxofonista com sonoridade e fraseado mais parecido com o ícone do bop, Charlie Parker. Não que isso signifique que ele tenha sido apenas um emulador do som de Bird, absolutamente. Sonny sempre foi defrontado pela crítica com esse fato e várias vezes declarou que quando ouviu Parker pela primeira vez, ainda com Bird tocando na orquestra de Jay McShan, levou um susto tal a semelhança de estilos. Sonny Stitt era alguns anos mais velho que Bird e foi um músico iniciado ainda no período do swing. Tornou-se um dos nomes de peso do bebop, gravando alguns discos importantes com ninguem menos que Dizzy Gillespie, o outro co-fundador do estilo ao lado de Parker. Apesar de minha admiração tanto por Stitt quanto pelo Zimbo, nesse álbum nota-se que enquanto o primeiro flui o fraseado pela estética do bop, o Zimbo fica um tanto amarrado em uma estética do swing. Nada que faça do álbum um desacerto. Amilton Godoy parece ser o mais a vontade graças a influência de um Oscar Peterson em seu estilo, Luiz Chaves e Rubinho não mostram muita intimidade com a caracteristica das acentuações rítmicas do bop, principalmente no trabalho com o bumbo e a caixa e as linhas do walking bass. Mas esses são detalhes só percebidos pelos ouvidos dos já iniciados, para um público mais geral o disco é uma agradável sessão de jazz com músicos de alto gabarito em suas respectivas estéticas. À lamentar mesmo é a péssima prensagem do vinyl, fato corriqueiro nos produtos da antiga Continental e uma mixagem estranha para os acostumados ao padrão Rudy Van Gelder. Noves fora, um encontro histórico de grandes músicos brasileiros e um nome importante no saxofone jazz.
Sonny Sttit (as, ts); Amilton Godoy (p); Luiz Chaves (b); Rubens Barsotti (d)
1 – Hope’s Blues (Stitt)
2 – Corcovado (Tom Jobim)
3 – There you will never be another you (Warren – Gordon)
4 – Little Sued Shoes (C Parker)
5 – Autumm Leaves (Parsons – J.Prever – J.Kosma – Mercer)
6 – Samba do Orfeu (Antonio Maria – Luis Bonfa)
7 – Blues for Gaby (Stitt)