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Arquivo da categoria: tommy flanagan

Louis Smith Quintet – Here Comes Louis Smith (1957)

Edward Louis Smith nasceu em 20 de maio de 1931 em Memphis, Tennessee. Aos 13 anos se encontrou com o trompete em uma banda enquanto cursava a High School. Em 48 recebe uma bolsa para cursar a Tennessee State University, onde graduaria em musica. Iniciando sua pós-graduação, transfere-se para a University of Michigan, onde, segundo ele, começa a ter seus mais memoraveis momentos como músico de jazz acompanhando visitantes como: Dizzy Gillespie, Miles Davis, Thad Jones e Billy Mitchell. Convocado para o serviço militar em 1954, encontra-se neste contexto com seu conterrâneo, Phineas Newborn. Dispensado no final de 55, começa a lecionar na Booker T. Washington High School, em Atlanta, Georgia. Declara o próprio Louis Smith: “Meu caminho no idioma jazz é grandemente influenciado por minha ardente admiração pelos saudosos Fats Navarro, Clifford Brown e Charlie Parker. Recentemente tenho tocado com Cannonball Adderley, Percy Heath, Philly Joe Jones, Lou Donaldson, Donald Byrd, Kenny Dorham e Zoot Sims”. “Here Comes Louis Smith” é sua a primeira sessão como líder e está muito bem acompanhado para tal: Cannonball Adderley no sax alto, usando o pseudônimo de Buckshot LaFunke; os pianistas Tommy Flanagan e Duke Jordan se revezando, o contrabaixista Doug Watkins, e o mestre Art Taylor na bateria. Louis havia feito sua estréia em gravações apenas 1 ano antes, em 1956, acompanhando o guitarrista Kenny Burrell, no álbum Kenny Burrell’s Swingin’. Em 57, o produtor Tom Wilson, de Boston, gravaria o master deste álbum, que se chamaria “Transition”, mas não o lançaria comercialmente, vendendo-o a Alfred Lion, da Blue Note, em 1958. Rapidamente Lion assinaria um contrato de exclusividade com Louis e ainda o escalaria para participar de duas sessões na gravadora, de onde sairiam os álbuns “Kenny Burrell’s Blue Lights” e “Booker Little 4 “. Em 58 ainda substituiria brevemente Art Farmer no quinteto de Horace Silver, com quem participaria da gravação ao vivo no Newport Festival. “Here Comes Louis Smith” incia com um bop meio-ligeiro em tonalidade menor, uma homengaem de Louis a seu ídolo e amigo Clifford Brown, “Tribute To Brownie”. O tema é apresentado por um adlib de 30 compassos entre o trompetista e o baterista Art Taylor. Solos inspirados se seguem pelo parkeriano Cannonball, Duke Jordan com sua escola a la Bud Powell, e o inspirado trompetista iniciante se ombreando a seu ídolo e homenageado. Percebam o quanto são especiais o fraseado e o timbre deste trompetista no blues menor “Brill’s Blues”. Cannonball está em seu elemento natural, ele que foi um dos maiores intérpretes de blues surgidos na cena jazzística. “Ande” é uma paráfrase bop de “Indiana”, Louis mostra um domínio técnico só encontrado nos grande mestres, fraseado rápido, inteligente, e perfeito domínio da emissão. O Cannonball desta fase era um músico que supria com grande competência a enorme lacuna deixada pela morte de Charlie Parker. Bop, blues e uma balada são a tríade perfeita pra se testar as capacidades técnicas e expressivas de qualquer músico de jazz. “Stardust” tira qualquer dúvida que porventura ainda permaneça no ouvinte. A leitura de Louis Smith é límpida, emotiva e nada clichê. “South Side” é mais um bop perfeito para as inflexões de Louis e Cannonball, o competente e seguro piano de Jordan é uma constante em toda as faixas que participa. “Val’s Blues” encerra o álbum com o fogo que permeia a todas as faixas, provida em grande parte pelo intenso drumming de Art Taylor. Louis Smith gravou muito pouco em toda sua carreira, dedicou-se intensamente ao ofício de lecionar. Em 2005 sofreu um AVC do qual vem se recuperando com muita dificuldade para recobrar os movimentos e, até mesmo, a capacidade de falar. Esta gravação, sábiamente comprada por Alfred Lion no longíquo 1957, permanece como um dos maiores testemunhos da imensa criatividade e talento deste magnífico músico.
Louis Smith (tp) Cannonball Adderley (as) Duke Jordan (p) Doug Watkins (b) Art Taylor (d)
NYC, February 4, 7
*Louis Smith (tp) Cannonball Adderley (as) Tommy Flanagan (p) Doug Watkins (b) Art Taylor (d)
NYC, February 9, 7
1- Tribute to Brownie (D. Pearson)
2- Brill’s Blues (L. Smith)
3- Ande (L. Smith)*
4- Stardust (H. Carmichael)*
5- South Side (L. Smith)
6- Val’s Blues (L. Smith)*
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Herbie Mann & Bobby Jaspar – Flute Soufflé (1957)

Os flautistas e saxofonistas Herbie Mann e Bobby Jaspar unem forças nessa sessão da Prestige à frente de um sexteto completado pelo especial Tommy Flanagan ao piano, Joe Puma na guitarra, Wendell Marshall no contrabaixo e Bobby Donaldson na bateria. Apenas quatro temas, porém, recheados de intensa improvisação. O álbum abre com o original de Herbie Mann, “Tel Aviv”, tema baseado em antiga melodia hebraica reconstruído em forma de blues. O guitarrista Joe Puma colabora com o bebop “Somewhere Else”; abrindo o lado B “Let’s March”, de Mann; e encerra a sessão um clássico do bebop, onde Herbie e Bobby são ouvidos exclusivamente na flauta em “Chasin’ the Bird” de Charlie Parker. “Flute Soufflé” é artigo de gastronomia, biscoito fino, com o selo Rudy van Gelder garantindo a integridade sonora. Oportunidade rara de se ouvir o jovem Herbie Mann, músico de jazz, bebop-baby.
Bobby Jaspar, Herbie Mann (fl, ts) Tommy Flanagan (p) Joe Puma (g) Wendell Marshall (b) Bobby Donaldson (d)
Rudy Van Gelder Studio, Hackensack, NJ, January 25, 1957
1- Tel Aviv (H Mann)
2- Somewhere Else (J Puma)
3- Let’s March (H Mann)
4- Chasin’ the Bird (C Parker)

 

Kenny Dorham Quartet – Quiet Kenny (1959)

O texano de Fairfield foi um músico muito atuante na cena bebop da segunda metade da década de quarenta, tendo atuado na orquestra de Dizzy Gillespie em 1945 e em vários combos bebop ao lado de Fats Navarro, Bud Powell, Sonny Stitt e outros. No final da década substituiu Miles no quinteto de Charlie Parker, com quem se apresentou no Festival de Jazz de Paris. Problemas de saúde relacionados a dependência química o afastaram da música até 1954 quando substitutiu Clifford Brown no quinteto de Art Blakey, ainda com Blakey trabalhou nos Jazz Messengers e montou seu próprio combo Jazz Prophets. Em 1956 substitui novamente Clifford no quinteto de Max Roach em decorrência da morte prematura deste. Na década de sessenta enfrentou sérios problemas de saúde que novamente o afastaram da música tendo retornado à cena em 1966. Faleceu em 1972 devido a insuficiência renal aos 48 anos.
Quiet Kenny é uma gravação realizada em 1959 e conta com uma excelente seção rítmica com o pianista Tommy Flanagan, o baixista Paul Chambers e o baterista Art Taylor. Podemos ouvir um Kenny Dorham maduro musicalmente, projetando as idéias com naturalidade e abandono. Sua composição Lotus Blossom se tornou um clássico do repertório jazzístico, Blue Friday e Blue Spring Shuffle são as outras composições do líder no álbum. Um álbum com tal título não poderia dispensar as baladas e em My Ideal podemos ouvir o lirismo do trompetista de forma límpida. Old Folks tem uma interpretação muito inspirada, Alone Together em andamento lento e I Had The Craziest Dream completam o set de baladas. Um espirituoso Mack The Knife encerra a audição com solo vigoroso de Kenny Dorham e o suporte sempre perfeito do trio rítmico.
Kenny Dorham não teve o reconhecimento merecido de seu valor como artista pelo grande público, não obtendo a mesma popularidade de um Dizzy, Lee Morgan, Clifford Brown, Freddie Hubbard e etc, mas seu estilo melódico e emotivo foi reconhecido pelos músicos, gravando com Thelonious Monk, Sonny Rollins, Tadd Dameron, John Coltrane, Max Roach e até músicos de vanguarda como Cecil Taylor.
Kenny Dorham (tp) Tommy Flanagan (p) Paul Chambers (b) Art Taylor (d) Rudy Van Gelder Studio, Englewood Cliffs, NJ, November 13, 1959
1- Lotus Blossom
2- My Ideal
3- Blue Friday
4- Alone Together
5- Blue Spring Shuffle
6- I Had The Caziest Dream
7- Old Folks
8- Mack The Knife
 
1 comentário

Publicado por em 4 de março de 2009 em art taylor, kenny dorham, paul chambers, tommy flanagan

 

Donald Byrd & Kenny Burrell (1957)

Uma semana após a sessão que deu origem ao álbum “All Night Long” Donald Byrd e Kenny Burrell eram recrutados por Bob Weinstock, fundador e manager da Prestige, para mais uma nova gravação repetindo o esquema de jam da anterior. No dia 4 de janeiro de 1957 com a formação levemente modificada, com Frank Foster no sax tenor e Tommy Flanagan ao piano, foi gravado nos estúdios de Rudy van Gelder “All Day Long” um blues com 18 minutos de duração que se tornaria rapidamente um sucesso entre os “jazz adicts”. Ainda dois originais de Foster e dois de Byrd completariam essa sessão mágica, que foi uma espécie de segundo tempo de “All Night Long”.
Da mesma forma que a postagem anterior, só se pode dizer que é imperdível!
Donald Byrd (tp) Frank Foster (ts, fl) Tommy Flanagan (p) Kenny Burrell (g) Doug Watkins (b) Art Taylor (d)
Rudy Van Gelder Studio, Hackensack, NJ, January 4, 1957
1. All Day Long (Kenny Burrell)
2. Slim Jim (Donald Byrd)
3. Say Listen (Donald Byrd)
4. A.T. (Frank Foster)
5. C.P.W. (Frank Foster)
 

Sonny Rollins – Falling In Love With Jazz (1989)

Quando Sonny Rollins surgiu na cena musical da Big Apple na virada da década de 40 para 50, comentava-se que a força e vitalidade do toque desse, então jovem saxofonista, só era comparavel com a obtida por veteranos da cena jazzística como Coleman Hawkins, Don Byas e Gene Ammons. Passados 60 anos, agora afirma-se o contrário sobre ele: A força e vigor do toque desse saxofonista octogenário só é comparavel ao de músicos jovens que podem tocar a pleno pulmão! Paradigmas à parte, o que se pode dizer com absoluta certeza sobre esse monstro sagrado do jazz é que para ele o tempo não passou. Quem teve a oportunidade de conferir suas apresentações no Brasil ano passado, tem absoluta certeza disso. Rollins foi o músico que melhor fez a ligação entre o toque vigoroso da escola de Coleman Hawkins com o fraseado ligeiro e sinuoso do bebop. Passou incólume por todas as mudanças de tendências do jazz e continuou sempre a ser uma luz guia na arte de soprar um saxofone, sempre sendo Sonny Rolins. E isso não significa, absolutamente, que tenha se cristalizado em meio ao desenvolvimento do jazz. Sempre foi um músico antenado, perceptivo ao novo, cercado por jovens músicos, mas sempre fazendo a música dele próprio. Experimentou de tudo, até o que não devia, mas sua personalidade musical sempre foi um iceberg em meio a tantas marolas estilísticas do gênero.
É justamente essa personalidade que podemos notar nesse “Falling In Love With Jazz”, gravado em 1989. Em duas baladas, “For All We Know” e “I Should Care”, Rollins convida a voz maior do saxofone da década de 80, Branford Marsalis e não soa nem um pouco old fashion, muito pelo contrário. Nesses dois temas ele conta com a preciosa colaboração do pianista Tommy Flanagan, companheiro de muitas jornadas desde os anos 50 no antológico “Saxofone Colossus”. Nos temas restantes é acompanhado pelo inseparável e excelente pianista Mark Soskin, um especialista em Latin Jazz, pelo entusiasmante guitarrista Jerome Harris, o veterano e sólido baixo de Bob Cranshaw, pela bateria ímpar de Jack DeJohnette e pelo trombone moderno de Clifton Anderson. O álbum todo é como destaca o título, uma impressionante e verdadeira declaração de amor ao jazz e a vida, já que para ele o tempo não passa.
Branford Marsalis, Sonny Rollins (ts) Tommy Flanagan (p) Jerome Harris (el-b) Jeff Watts (d) NYC, June 3, 1989
*Sonny Rollins (ts) Mark Soskin (p) Jerome Harris (g) Bob Cranshaw (el-b) Jack DeJohnette (d) NYC, August 5, 1989
**Clifton Anderson (tb) Sonny Rollins (ts) Mark Soskin (p, el-p) Jerome Harris (el-g) Bob Cranshaw (el-b) Jack DeJohnette (d) NYC, September 9, 1989
01 – For All We Know
02 – Tennessee Waltz*
03 – Little Girl Blue*
04 – Falling In Love With Love**
05 – I Should Care
06 – Sister**
07 – Amanda**

 

Kenny Dorham Quintet – Trompeta Toccata (1964)

O trompetista Kenny Dorham nasceu na cidade de Fairfield no Texas em 1924, em 45 já estava na Big Apple atuando na orquestra de Dizzy Gillespie, transformando-se em um típico músico de bebop. Tocou com Fats Navarro, Bud Powell, Sonny Stitt e outros expoentes do gênero até que, no final da década de 40, integrou o quinteto de Charlie Parker em substituição a Miles Davis. No início dos anos 50 esteve afastado da música por problemas com drogas e reapareceu na cena em 54, substituindo Clifford Brown nos Jazz Messengers. Logo em seguida substituiria Clifford novamente no quinteto com Max Roach. Após outro período afastado da música, por razões de doença, tentou voltar ao jazz em tempo integral, mas devido a problemas renais, que exigiram uma série de sessões de hemodiálise, faleceu em dezembro de 1972, aos 48 anos. Um dos melhores trompetistas do jazz, Dorham não teve o reconhecimento merecido por parte do grande público, tendo se tornado uma espécie de músico de músicos, gravando com Thelonious Monk, Sonny Rollins, Tadd Dameron, Hank Mobley e até Cecil Taylor. Trompeta Toccata, de 1964, é um de seus melhores discos, gravado ao lado do exímio saxofonista Joe Henderson e do melódico pianista Tommy Flanagan.
Kenny Dorham (tp) Joe Henderson (ts) Tommy Flanagan (p) Richard Davis (b) Albert “Tootie” Heath (d)
Rudy Van Gelder Studio, Englewood Cliffs, NJ, September 14, 1964
1.Trompeta Toccata
2.Night Watch
3.Mamacita
4.The Fox