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Arquivo da categoria: victor assis brasil

Victor Assis Brasil – Toca Antonio Carlos Jobim (1970)

Está aqui um álbum que reúne dois gênios. Isso mesmo! Não é figurinha de retórica não! O gênio composicional de Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim – o Tomzinho, e o gênio do sax alto Victos Assis Brasil. Precisa dizer mais alguma coisa? Ah…precisa sim. Neste álbum Victor se faz acompanhar por caras do calibre de um Hélio Delmiro, de um Dom Salvador, e dois Edisons geniais: o Lobo e o Machado. No mais, qualquer texto que eu colocar aqui com a tentativa de discorrer sobre o que você vai escutar será infame, incompleto, pequeno, desnecessário, pretencioso, e dispendioso de seu tempo que deve ser dedicado a ouvir esse tesouro. Tenho dito!
Victor Assis Brasil – sax alto, sax soprano; Dom Salvador – piano; Hélio Delmiro – guitarra; Edson Lobo – baixo; Edison Machado – bateria
1- Wave
2- Só tinha de ser com você
3- Bonita
4- Dindi
5- Quartiniana
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Victor Assis Brasil Quarteto – Pedrinho (1980)

Continuando a mostrar a discografia do saudoso saxofonista Victor Assis Brasil, no post de 01 de Fevereiro postamos seu disco de estréia, chega a vez de “Pedrinho” o último trabalho gravado do músico. Pedrinho traz Victor a frente de um quarteto completado por Jota Moraes no piano, Paulo Russo no contrabaixo e Ted Moore na bateria. Paulo e Ted já faziam parte do grupo regular e Jotinha substituía Fernando Martins. “Pedrinho”, dedicado ao irmão caçula de Victor, foi gravado em finais de 79 e lançado no ano seguinte pela EMI, na esteira do grande sucesso alcançado pelo quarteto no I Festival de Jazz de São Paulo. O disco abre em uma enérgica interpretação de “It’s allright with me” de Cole Porter, num andamento rápido comparavel às melhores gravações do tema por expoentes do hardbop com a sonoridade de Victor transitando entre a de um Phil Woods e um Jackie McLean. Em seguida “Nada será como antes”, de Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, em levada de samba-jazz ultra moderno com o saxofonista mostrando o melodista especial que foi. O baixo de Paulo Russo mostra sua influência pelo som de Scott LaFaro. O compositor Victor Assis Brasil está presente em dois temas do álbum. Na faixa título, sua homenagem ao irmão caçula é de beleza e lirismo ímpares, não há improviso, somente o sax soprano e o vibrafone de Jotinha provendo a harmonia. “Penedo”, também no sax soprano, traz uma atmosfera diferente, o tema é de uma complexidade que somente músicos muito gabaritados podem encarar, música modal com muitas variações de andamento e uma harmonia que se move o tempo todo, coisa de gênio. A composição de Dori Caymmi, “O Cantador”, de melodia magistral, é um dos pontos altos desse maravilhoso álbum, o quarteto toca com uma unidade e interação só atingida por músicos fora de série, o solo de Jotinha é primoroso. Ainda havia espaço na fita para dois standards clássicos do jazz, “S’Wonderful”, dos irmãos Gershwin e “Night and day”, novamente Cole Porter em levada samba-jazz-straight-ahead. Esse canto do cisne de Victor é um dos melhores discos de jazz gravado no Brasil em todos os tempos, e olha que grandes discos foram produzidos por aqui! O quarteto tem uma performance rara, tudo de qualidade excepcional. Um álbum de cinco mil estrelas!
Victor assis Brasil – sax alto e soprano; Jota Moraes – piano e vibrafone; Paulo Russo – contrabaixo; Ted Moore – bateria
1 It’s all right with me (Cole Porter)
2 Nada será como antes (Milton Nascimento – Ronaldo Bastos)
3 Pedrinho (Victor Assis Brasil)
4 S’wonderful (Ira Gershwin – George Gershwin)
5 Penedo (Victor Assis Brasil)
6 O cantador (Nelson Motta – Dori Caymmi)
7 Night and day (Cole Porter)

 
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Publicado por em 13 de fevereiro de 2009 em jota moraes, paulo russo, ted moore, victor assis brasil

 

Victor Assis Brasil Quarteto – Desenhos (1966)

Victor Assis Brasil foi, e é até hoje, o jazzista brasileiro por excelência. Apesar de uma formação musical desde a infância só aos 17 anos começou a se interessar pelo saxofone, aos 22 já gravava “Desenhos”, seu primeiro disco como líder de combo. E nesse jovem Victor já se podia notar a forte influência de sua principal referência no sax alto, Phil Woods. Mas não foi só como saxofonista que ele surpreendia aos frequentadores do Beco das Garrafas, suas composições tinham a consistência e maturidade de um músico completamente formado, como se pode notar em 4 faixas: “Devaneio”, “Dueto”, “Eugenie” e na faixa título. Mas para um gênio muito é sempre pouco, e lá foi ele para completar seus estudos na Berkelee, retornando ao Brasil definitivamente em 1974.
“Desenhos” traz um quarteto de altíssimo nível, o piano notável de Tenório Jr, o seguro contrabaixo de Edison Lôbo e a bateria do Chico, o “batera”. A capa é sóbria mas de muito bom gosto, como em todos os discos da gravadora Forma de Roberto Quartim.
Victor nos deixou prematuramente aos 35 anos em 1981, mas deixou também algumas centenas de composições, a maioria até hoje ainda inéditas apesar do esforço de seu irmão João Carlos, também músico, de levá-las ao conhecimento do público. Prematuro, também, foi o desaparecimento de Tenório Jr. de nosso convívio, deixando uma lacuna que, somada à deixada por Victor, é praticamente impossível de ser preenchida.
* No blog do amigo Carlos Braga, CB Latin Jazz Corner, pode-se tomar contato com o único disco de Tenório Jr como líder, “Embalo”, tão bom quanto tudo que Tenorinho produziu em sua curta passagem entre nós.
Victor Assis Brasil – sax alto; Tenório Jr. – piano; Edison Lôbo – contra-baixo; Chico “Batera” – bateria
1 – Naquela base (João Donato)
2 – Devaneio (Victor Assis Brasil)
3 – Primavera (Carlos Lyra – vinicius de Moraes)
4 – Simplesmente (Edison Lôbo)
5 – Feitiço da vila (Noel Rosa – Vadico)
6 – Dueto (Victor Assis Brasil)
7 – Amor de nada (Marcos Valle-Paulo Sérgio Valle)
8 – Eugenie (Victor Assis Brasil)
9 – Minha saudade (João Donato-João Gilberto)
10 – Desenhos (Victor Assis Brasil)
 
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Publicado por em 1 de fevereiro de 2009 em chico batera, edison lôbo, tenório jr, victor assis brasil